Adolescência e o uso de drogas
Qua, 01 de Junho de 2011 21:14

Cristiane Leite Ribeiro[1]

Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

Janiely Amanda Naves Rufino[2]

Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

 

RESUMO: Sabemos que a adolescência é a fase do desenvolvimento humano, na qual o ser humano passa antes de atingir a vida adulta. Esta é caracterizada por transformações no corpo, na mente e nas relações sociais, as quais causam aos adolescentes muitos conflitos. Um problema decorrente desta fase da adolescência é o possível uso de Drogas, porque o adolescente busca a solução para seus problemas na fuga da realidade através do consumo de entorpecentes. Assim, objetiva-se, neste artigo, demonstrar quais são os fatores que levam os adolescentes a se drogarem; verificar o papel da família do adolescente para evitar o uso das drogas. A metodologia utilizada é a qualitativa, por meio de pesquisa bibliográfica. Essa discussão tem por fundamentos as contribuições de Campos (2009), Tiba (2008), Osório (1989) e Zacury (2000).

PALAVRAS-CHAVE: Adolescentes. Drogas. Família.

 

1. ­­­Introdução

Sabe-se que a adolescência é uma fase conflituosa que, muitas vezes, contribui para que os jovens façam o uso de drogas. Esse problema gera preocupação aos educadores e as famílias. Nesse sentido, objetiva-se demonstrar quais são os fatores que levam os adolescentes a se drogarem e verificar o papel da família do adolescente para evitar o uso das drogas.

A metodologia utilizada, nesta pesquisa, é a qualitativa, por meio de levantamentos bibliográficos de autores como Campos (2009), Tiba (2008), Osório (1989) e Zacury (2000).

 

2. Adolescência

A adolescência é a fase do desenvolvimento humano pela qual todo indivíduo passa e quando encontram muitos conflitos com os pais, pressão do grupo, entre outros problemas. Assim, passam a ter dúvidas de tudo e de todos, sentindo dentro de si muita frustração, ansiedade, angústia e desespero.

A partir desse momento, alguns jovens procuram pelas drogas, vista como uma saída. Não sabem o que fazer, ficam desesperado, não vendo nenhuma saída procuram alívio no que, enganosamente, as drogas podem lhes proporcionar. No entanto, muitos jovens entram no mundo das drogas e não conseguem mais abandonar tais substâncias químicas, isso causa aos seus familiares muita dor e sofrimento, deixando as pessoas próximas, muita das vezes, sem saber como agir diante da situação.

O papel da família na educação dos filhos é de suma importância para que o adolescente chegue à fase adulta ciente dos males que as drogas podem causar. Segundo  Zagury (2000, p. 91), “pais equilibrados, carinhosos, atentos e seguros, produtivos e estruturados emocionalmente são essenciais para o equilíbrio dos filhos”. Quando a família não proporciona ao adolescente um lar harmônico, não demonstra carinho ou amor pelos filhos, os fazem sentir-se feridos, abandonados e a pensarem que ninguém os ama ou os entende. Certamente, diante dessa situação, procurarão pela felicidade em outro lugar, geralmente nas drogas.

Diante disso, procuramos analisar o papel da família para que o adolescente chegue à adolescência ciente dos perigos e dos males causados pelas drogas. Para Zagury (2000), a adolescência é a fase do desenvolvimento humano caracterizada por mudanças no comportamento, na mente, no corpo e nas relações socias. Muitos adolescentes levam á vida numa boa, não esquentam, procuram agir com naturalidade diante dos problemas e tentam resolvê-los da melhor maneira possível, sem se estressarem. Enquanto outros, diante dos problemas, fazem tempestade num copo d’água, são imaturos, agem com rebeldia, são irritantes e não sabem se controlar vivem brigando por qualquer motivo, falam o que pensam e o que querem, não se importam com nada e com ninguém, vivem em conflito com si mesmo e com seus pais. Nesse sentido:

Quando um adolescente diz estar cheio de problemas, isso pode, portanto, significar, dependendo das características de cada um, uma simples discussãozinha com os pais em casa ou realmente um problema sério como uma gravidez indesejada. E esse conjunto de características pessoais é um dos fatores determinantes para o encaminhamento da resolução de problemas. Uns partem para a briga de frente, enfrentam, pensam, procuram ajuda e de alguma maneira resolvem seus problemas. Outros podem procurar caminho de fuga, um dos quais podem ser o uso de substâncias que os ajudem a se alienar da realidade (ZACURY, 2000, p.92).

Diante dos fatores apontados por Zacury, percebe-se que, o meio em que os adolescentes vivem influencia-os tanto positivamente quanto negativamente, principalmente na fase da adolescência, que é quando se encontram mais vulneráveis às influências internas e externas das relações sociais. Os adolescentes são tão vulneráveis as influências que, na maioria das vezes, são influenciados por seus amigos ou até mesmo por membros da família a fazer o uso de substâncias químicas.

Conforme aponta Osório (1989, p.44), “por parte dos pais, há o correspondente engano de que os filhos estão com drogas, desafiando a moral doméstica e “protestando” contra seus hábitos de vida, quando na verdade estão imitando [...]". No entanto, se um pai fuma uns quatro cigarros por dia e a mãe fazerem uso de drogas.

Osório (1989), também, discute sobre outros fatores que influenciam um adolescente a usar droga, por exemplo, grupos de amigos. quando o adolescente  é o único adolescente que não bebe ou que não fuma, ele é induzido a fazer o mesmo que os colegas, e quando não o faz, é excluído do grupo. Nesta hora, muitos adolescentes acabam bebendo ou fumando só para não serem excluídos do grupo. No entanto, não são todos os adolescentes que se deixam lavar por esse tipo de influência.

Há casos de adolescentes que experimentam drogas por curiosidade, ou até mesmo àqueles que já experimentaram e que querem sentir novamente a sensação de bem estar que as drogas lhes proporcionam, mas não conseguem parar e acabam se tornando dependentes químicos. Para Osório, em seu livro “Adolescente hoje”, ele diz o seguinte:

Por parte dos adolescentes, a ilusão de que as drogas os “libertam”, quando na verdade os “submetem” ou “escravizam”; para escapar do jugo dos pais ou dos “valores burgueses da sociedade de consumo”, hoje apregoam, deixam-se dominar pelos tóxicos e acabam manipulando pelos interesses escusos dos traficantes (OSÓRIO, 1989, p.44 ).

A maioria dos adolescentes busca liberdade nas drogas para fugirem do julgamento da sociedade e dos pais, mas ao invés disso ficam dependentes ou escravos dos tóxicos e também dos traficantes.

 

3. Drogas e tipos de usuários

As drogas são substâncias que podem inibir, acentuar ou modificar em parte um comportamento passível de ocorrer no indivíduo. Zacury (2000) define que, as drogas são todos os tipos de medicamento que causa dependência aos indivíduos. Todo tipo de droga, segundo a própria autora, tem um poder de grande influência na vida do usuário, levando-as a cometer atrocidades com as pessoas que estão a sua volta, podendo levar o usuário a morte. Há vários tipos de usuários de drogas. Segundo a UNESCO, são quatro:

- O experimentador (aquele que uma ou poucas vezes vários tos de drogas, por curiosidade, pressão de um grupo, em geral logo as abandonando. Muitos adolescentes estão neste caso);

- O usuário ocasional (usa somente quando tem a droga disponível. Numa festinha, por exemplo, ou na casa de um amigo. Não é dependente);

- O usuário habitual (já apresenta dependência, precisa da droga, mas ainda não apresenta rupturas sociais importantes. Ainda trabalha, estuda, namora etc. A ruptura social importante significa justamente de ter essas atividades habituais), e

- O usuário dependente (vive apenas para o consumo da ou das drogas que utiliza. Apresenta rompimento forte dos vínculos sociais, sendo a marginação o isolamento. Em geral, já começa a apresentar decadência física e moral. É a fase em que todos os métodos são todos válidos para se conseguir a droga) (ZACURY, 2000, p.100 ) [GRIFOS DA AUTORA]

Os tipos mencionados acima estão representados pelos usuários de drogas existentes na sociedade. No entanto, mesmo aqueles que são experimentadores, ou aqueles que usam ocasionalmente ou habitualmente, tem probabilidade de se tornarem dependentes químicos e não resistirem as influências das substancias químicas. Segundo Zacury (2000), as drogas são classificadas de acordo com seus efeitos no organismo, como a descrição a seguir sugere:

a) As drogas repressoras (diminuem ou deprimem a atividade cerebral, levando ao relaxamento, à sedação, à calma, e consequentemente ao desligamento dos problemas reduzindo a ansiedade). As pessoas que as utilizam sentem-se mais tranquilas em relação a seus problemas.

b) Drogas Estimulantes (dão a sensação de potência, força, rendimento maior de trabalho, coragem). São elas:

  • a cafeína,
  • a nicotina,
  • a cocaína e
  • as anfetaminas

. A cafeína (causa dependência psíquica) e a nicotina (leva à dependência física e psíquica) são drogas perfeitamente toleradas na sociedade. No entanto, ambas promovem danos a saúde, principalmente a segunda.

c) A cocaína (pó) é a droga utilizada pelas classes altas.  Seu uso leva a dependência psíquica, ao isolamento à insônia, a medos irreais e a sensação de perseguição.

d) As anfetaminas são substancias mais utilizadas por estudantes para melhorar a concentração ou para ficarem acordados por mais tempo. Estão presentes também os anorexígenos- remédios para diminuir a apetite e fazer emagrecer [...]. O uso prolongado, no entanto leva a dependência, irritabilidade, insônia e agressividade. E até a morte (ZACURY, 2000, p.102).

Dentre os fatores apresentados, ZACURY (2000) diz ainda que existem alguns  tipos de drogas que não são questionados pela sociedade como: as bebidas alcoólicas, os calmantes (remédios que tranquilizam, sedam), a codeína (componente de alguns xaropes), os inalantes (cola de sapateiro, esmalte, gasolina, verniz, entre outros). Dentre as drogas depressoras, o álcool é uma droga ilícita, que tem aceitação social e que vem sendo usado por muitas pessoas, tendo casos em que o individuo já se tornou dependentes químicos desta droga.

Portanto, qual o papel da família e dos pais em relação às drogas, o que fazer quando descobrem que seu filho ou um membro da família está usando droga?

A família tem um papel importante no combate ao uso de drogas, não somente em relação à educação como no que se refere à parte emocional, afetiva do adolescente. Na escola, muitos educadores puderam observar que, um adolescente com uma família bem estruturada, com pais equilibrados que tem diálogo aberto com os filhos, eles dificilmente se submeterão ao vício das drogas.

Muitos jovens podem até experimentar um produto químico, porém os princípios ensinados pelos pais e pela família, o amor e carinho que são atribuídos por eles os impedirão que continuem usando drogas. No entanto, “pais omissos tem maiores chances de possuir um filho drogado do que pais presentes” (TIBA, 2008, p.73). Os filhos por sentirem falta de amor, atenção e carinho por parte dos pais omissos, eles tem mais probabilidade de usarem drogas, e permanecerem como dependentes.

Segundo Zacury (2000), o ideal é que os pais prevenissem seus filhos desde o momento que passam a entender e distinguir o certo do errado, desde cedo ter um diálogo aberto, sem rodeios, explicarem a eles tudo que quiserem saber, não esconder-lhes nada sobre vida, só assim chegará à adolescência ciente de que as drogas fazem mal tanto para com a saúde como para suas relações sociais e que o uso dessas substâncias químicas pode custar-lhes a vida.

Quando o diálogo não acontece em casa, antes do filho se tornar um usuário, há contribuição da própria família para que o número de usuários de drogas aumente. O primeiro passo por parte dos pais, é a conscientização dos filhos em relação às drogas e a também a compreensão por parte da família, ajudando e acolhendo o adolescente usuário, sem jamais excluí-los. Eles tem de estar cientes das drogas, dos males causados por elas e o que fazer se alguém lhe oferecer e essa tarefa cabe somente aos pais ensinar.

O segundo passo, assim que os pais descobrem que seus filhos estão usando droga, é manter a calma. Geralmente, quando um pai descobre que seu filho está usando droga, em alguns casos ficam nervosos chegando ao ponto de agredirem seus filhos, os deixando de castigo e os proibindo muitas vezes até de sair de casa (ZACURY, 2000).  Nesta hora é o momento em que é preciso de “calma e o bom senso devem sempre estar presentes na relação entre pais e filhos, mesmo que descubram que eles estão realmente fazendo uso de alguma droga” (ZACURY, 2000, p.109).

O terceiro passo é buscar ajuda de profissionais que entendem deste problema. Geralmente “os pais conseguem afastar o filho da drogas quando admitem sua impotência para resolver o problema e procuram auxílio especializado” (TIBA, 2008, p.80). O que não pode acontecer é se deixarem levar pelo desespero ou fingirem que nada está acontecendo com seu filho.

4. Considerações Finais

 

A adolescência é uma das fases da vida mais conflituosas, onde o adolescente está a procura de compreender a si próprio e ao mundo que o cerca, assim tentam descobrir o que estão fazendo neste mundo. É uma fase tão difícil, onde os adolescentes se encontram mais vulneráveis a todo tipo de influência, tanto interna quanto externa, na maioria das vezes, deixam-se influenciar por grupos de amigos e até mesmo por seus pais que consomem algum tipo de droga em casa, vindo a tornar-se usuários ativos de substâncias químicas.

O uso de drogas pelos adolescentes hoje, tem se tornado mais frequente. No entanto, muito desses adolescentes usuários não tem ajuda da família, pois estes não conseguem lidar com um usuário de droga, deixam que o desespero tome conta. No entanto, aqueles pais e familiares que admitem não saberem lidar com esse problema e procuram ajuda de profissionais quando percebida a tempo de ser tratada, em muitos casos, obtém sucesso e consegue tirar seu filho do mundo das drogas.

O papel da família e dos pais é justamente impedir que seus filhos entrem no mundo das drogas. Por isso, é necessário que o adolescente tenha uma família bem estruturada e os pais não omissos e sim pais presentes que lhes dê amor, carinho, atenção, os ensinem, os capacitem para a vida adulta.

O ideal a fazer por parte da família, quando não se tem conhecimento sobre as drogas, é se informar, tentar lidar com a situação, e em último caso, não é menos importante buscar ajuda de profissionais nesta área, só assim terão sucesso quando se depararem com seus filhos usando drogas.

Nesse sentido, a escola e os educadores também podem contribuir para amenizar esse problema, oferecendo palestras, pesquisas e conscientização dos seus alunos sobre as consequências das substâncias químicas para os seres humanos.

 

5. Referências Bibliográficas

CAMPOS, Dinah Martins de Souza. Psicologia da Adolescência. 21. Ed. Petrópolis: Vozes, 2009.

OSÓRIO, Luiz Carlos. Adolescente de Hoje. 1a ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1989.

TIBA, Içami. Conversas com Içami Tiba. Volume 2. São Paulo: Integrare Editora, 2008.

ZACURY, Tânia. O adolescente por ele mesmo. 11° ed. Rio de Janeiro: Record, 2000.



[1] Acadêmica do curso de pedagogia da Universidade do Estado de Mato Grosso - UNEMAT. Orientação da Profa MS Soeli Aparecida Rossi de Arruda.

[2] Acadêmica do curso de pedagogia da Universidade do Estado de Mato Grosso - UNEMAT. Orientação da Profa MS Soeli Aparecida Rossi de Arruda.

 

 

Agenda da Educação

Setembro 2014
D 2a 3a 4a 5a 6a S
31 1 2 3 4 5 6
7 8 9 10 11 12 13
14 15 16 17 18 19 20
21 22 23 24 25 26 27
28 29 30 1 2 3 4

Enquete

Que tipo de Formação Continuada você gostaria de receber do CEFAPRO?
 
Free template 'Feel Free' by [ Anch ] Gorsk.net Studio. Please, don't remove this hidden copyleft!