O ensino da matemática na EJA: um processo escolar
Qui, 02 de Junho de 2011 11:14

Fabricia Nates dos Santos [1]

Uéderson Ribeiro Pinto [2]

 

RESUMO: Este artigo discutirá o ensino da Matemática na Educação de Jovens e Adultos - EJA, modalidade de ensino diferenciada das demais, pois atende aos jovens e aos adultos que ficaram muito tempo sem estudar, mas retornam à escola nessa modalidade. Assim, objetivamos discorrer sobre o processo de ensino-aprendizagem da matemática na EJA, levando em consideração as dificuldades enfrentadas pelos alunos, bem como, levantaremos por meio de questionamentos informais quais as dificuldades que contribuíram para que eles desistissem do ensino regular. O estudo será conduzido por meio de pesquisa bibliográfica, com contribuições dos PCN de Matemática (BRASIL, 2002), Angher (2004), Coriat (1997), Fonseca (2005), Oliveira (1999).

PALAVRAS-CHAVE: Ensino. Aprendizagem. Matemática.

 

1. Introdução

O ensino da matemática na Educação de Jovens e Adultos - EJA contribui para a inserção de jovens e adultos na escolarização sistematizada, assim, objetivamos discorrer sobre o processo de ensino-aprendizagem da matemática na EJA, levando em consideração as dificuldades enfrentadas pelos alunos, bem como,, levantaremos por meio de questionamentos informais quais  são as dificuldades que contribuíram para que eles desistissem do ensino regular. O estudo será conduzido por meio de pesquisa bibliográfica, com contribuições dos PCN de Matemática (BRASIL, 2002), Angher (2004), Coriat (1997), Fonseca (2005), Oliveira (1999).

 

2. Projeto EJA e a Matemática

A EJA é uma modalidade de ensino diferenciada das demais, pois não abrange somente crianças e jovens em no seu processo de formação, mas alunos jovens e adultos que não tiveram a oportunidade de concluir seus estudos básicos na sua juventude. Como prevê a constituição federal vigente (Brasil 1988), no artigo 208, o dever do Estado com a Educação será efetivado mediante a garantia de:

I. Ensino fundamental, obrigatório e gratuito, inclusive para que os que a ele não tiveram acesso na idade própria;

II. Progressiva extensão de obrigatoriedade e gratuidade ao ensino médio.

Conforme o exposto, podemos dizer que modalidade de ensino EJA tem por finalidade garantir esse direito aos cidadãos jovens e adultos para integrá-los na educação escolarizada e possivelmente ampliar as condições de trabalho com atividades que os levem a refletir sobre as práticas sociais.

A matemática como matéria da área de Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias faz parte da grade curricular do Ensino Médio/EJA, sendo esta de suma importância para formação do caráter sócio-educacional do aluno. Porém, a matemática não deve ser vista pelos alunos como uma disciplina cheia de regras e teorias decorativas que poderão reprovar, mas como uma ferramenta construtora do conhecimento.

Cabe aos educadores da EJA mostrar a importância da Matemática, o quanto esta disciplina é útil para a sociedade moderna, e será utilizada em qualquer lugar. Na prática de sala de aula o ensino deve compreender dados informativos, os quais serão interpretados e analisados a partir de situações cotidianas, contribuindo para a autoconfiança do estudante.
As aulas de Matemática devem envolver os temas transversais: saúde, meio ambiente, orientação sexual, ética, relacionando-os com o ensino interdisciplinar, ou seja, em trabalho interativo com outras disciplinas como Biologia, Física, Química, Geografia, Contabilidade etc. Nesse sentido, os PCN orientam que:

Nessa nova compreensão do ensino médio e da educação básica, a organização do aprendizado não seria conduzida de forma solitária pelo professor de cada disciplina, pois as escolhas pedagógicas feitas numa disciplina não seriam independentes do tratamento dado às demais, uma vez que é uma ação de cunho interdisciplinar que articula o trabalho das disciplinas, no sentido de promover competências (BRASIL, 2006, p. 10).

A Resolução CNE/CEB1 nº1, de 5 de julho de 2000, institui as diretrizes curriculares para a EJA e no Parecer CNE/CEB 11/2000 preconiza que a EJA deve desempenhar três funções:

Função reparadora: refere-se não apenas ao acesso dos jovens e adultos no circuito dos direitos civis pela restauração de um direito negado: o direito a uma escola de qualidade, mas também o reconhecimento daquela igualdade ontológica de todo e qualquer ser humano.

Função equalizadora: relaciona-se com a igualdade de oportunidade sendo consideradas as situações específicas.

Função qualificadora: refere-se à tarefa de propiciar a todos a atualização de conhecimentos por toda a vida, uma ação permanente. É importante ressaltar que mais que uma função esta é o próprio sentido da EJA.

Um currículo de Matemática para EJA deve considerar a autonomia em Matemática na formação dos estudantes, o que, segundo Coriat (1997) significa:

• Desenvolver ou fomentar a capacidade para enunciar, compreender e confrontar perguntas matemáticas significativas;

• Desenvolver ou fomentar a capacidade de avaliar e usar métodos de raciocínio matemáticos, atualmente aceitos como meios de obter conclusões;

• Usar a linguagem matemática;

• Aceitar, sem renunciar a discussão dos enunciados que a comunidade matemática considera atualmente como bem estabelecidos.

Desta maneira, o Professor de Matemática possibilita na prática de sala de aula uma visão educativa mais ampla, ao propor a matemática como uma atividade social articulada as práticas rotineiras de seus alunos, quando relacionam as atividades econômicas ao pensamento social. Vale à pena ressaltar a importância da leitura e da escrita nas aulas de matemática, pois o aluno precisa ter a capacidade de ler os problemas e interpretá-los para que a sua resolução esteja correta.

 

3. Ensino da Matemática na EJA

No desenvolvimento da pesquisa, questionarmos alguns alunos da EJA sobre um dos principais fatores que os levaram a abandonar os estudos, alguns afirmaram que tinham muita dificuldade quanto à disciplina de matemática, porém esse não foi necessariamente um fator decisivo para que os mesmos abandonassem as escolas. Muitos desses alunos não tiveram condições financeiras para se manter na escola, por isso tiveram que começar a trabalhar muito cedo, tendo que largar os estudos, outros não tiveram a oportunidade de freqüentar a escola devido ao local onde residiam não oferecer meio de transporte para estarem freqüentando as aulas em escolas distantes, entre outros fatores.

Os professores que ministram aulas na modalidade de ensino EJA se deparam com ritmos diferentes de aprendizagem na EJA. Nesse sentido, Oliveira (1999) assinala a considerável limitação de estudos na área da psicologia (especialmente, na Matemática) que subsidiam a compreensão dos processos cognitivos do aprendiz não-criança:

As teorias do desenvolvimento referem-se, historicamente, de modo predominante à criança e ao adolescente, não tendo estabelecido, na verdade, uma boa psicologia do adulto. Os processos de construção do conhecimento e de aprendizagem dos adultos são, assim, muito menos explorados na literatura psicológica do que aqueles referentes às crianças e adolescentes (IBIDEM, 1999, p. 60).

A falta de estudos sobre a psicologia de ensino na EJA é um obstáculo que deve ser superado pelo profissional da educação, principalmente quando se fala em matemática, uma proposta de ensino seria fazer com que esse aluno possa fazer uma relação entre teoria e pratica, utilizando de exemplos que estão presentes no cotidiano de cada um e relacionando com o conteúdo que esta sendo exposto na sala de aula, fazendo assim com que o processo de ensino-aprendizagem se torne mais interativo e menos desgastante para o aluno.

Fonseca (2005) discorre sobre a importância da pratica da matemática na EJA colocando em pratica os ensinamentos repassados pelos professores:

O envolvimento de alunos em projetos genuínos, ou seja, projetos cuja meta é definida por uma necessidade real, e realmente constatada pela classe (como a necessidade de se melhorar o sistema de iluminação da sala de aula, por exemplo, o que não só exigiria estudos sobre o dimensionamento, natureza e oposição da (s) fonte (s) de luz, como também demandaria a elaboração coletiva de estratégias e condições para a sua aquisição, além de planejamento para a operacionalização das ações definidas a partir daqueles estudos e elaborações, são oportunidades particularmente ricas não sob o aspecto mais estrito da didática do ensino de determinados conceitos e procedimentos da Matemática, ou da Física, mas também na constituição de uma concepção das ciências como instrumental que se deve postar como recurso para melhoria das condições de vida das pessoas (IBIDEM, 2005, p. 50-51).

Diante da questão apresentada, podemos afirmar que o ensino da matemática no EJA deve ser um aprendizado dinâmico na teoria com aplicações praticas no cotidiano, especialmente, relacionado ao desenvolvimento histórico da tecnologia, nos mais diversos campos do saber, identificando como seus avanços foram modificando as condições de vida e criando novas necessidades para os seres humanos.

4. Considerações finais

Os professores de Matemática, em atuação na EJA, têm apontado uma nova postura educacional, em busca de um novo paradigma de educação que substitua o processo de ensino e aprendizagem relacionado à causa x efeito. Na prática de sala de aula, eles conseguem realizar transformações na vida de seus alunos, especialmente de jovens e adultos que compreendem a Matemática como um meio de se resolver conflitos e não como forma de decoreba de fórmulas que os alunos não sabem aplicar no cotidiano.

Portanto, neste artigo, procuramos fazer um convite à reflexão mais aprofundada sobre o ensino da Matemática, alimentado pelas contribuições bibliográficas apresentadas e pela exposição de algumas literaturas relativa à área correlata.

 

5. Referências Bibliográficas

ANGHER, Anne Joyce. Brasil Constituição Federal. 4ª Ed. São Paulo: Rideel, 2004.

BRASIL. Resolução CNE/CEB Nº 1, DE 5 de Julho de 2000. Disponível em: < http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/CEB012000.pdf > Acesso em 26 abr. 2011.

______Parecer CNE/CEB 11/2000. Disponível em < http://www.retsus.fiocruz.br/upload/documentos/parecer_cne_11_2000_proeja.pdf > Acesso em 26 abr. 2011.

CORIAT, Moisés. Cultura, Educación Matemática y Currículo. In: RICO,      Luis. Bases teóricas del currículo de matemáticas en educación secundaria.  Madrid/ES: Síntesis, 1997.

FONSECA, Maria da Conceição Ferreira Reis. Educação Matemática de Jovens e Adultos 2ª ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2005.

OLIVEIRA, Marta Kohl de. Jovens e Adultos como sujeitos de conhecimento e aprendizagem. Revista Brasileira de Educação. São Paulo: ANPED- Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Educação, n.12, 1999.



[1] Acadêmica do Curso de Licenciatura em Matemática, da Universidade do Estado de Mato Grosso - UNEMAT, sob a orientação da Profa Ms Soeli Aparecida Rossi de Arruda.

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[2] Acadêmico do Curso de Licenciatura em Matemática, da Universidade do Estado de Mato Grosso - UNEMAT, sob a orientação da Profa Ms Soeli Aparecida Rossi de Arruda.

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