Alfabetizar letrando
Ter, 26 de Julho de 2011 22:04

Luciana Soares da Silva Garcia[1]

 

RESUMO: O presente artigo tem como enfoque principal a Alfabetização .  Assim como a alfabetização e o letramento são processos que caminham juntos, este artigo, em específico, busca repensar a aquisição da língua escrita, baseado no alfabetizar letrando. Visto que a sociedade hoje é uma sociedade grafocêntrica, ou seja, centrada na escrita, não basta ao indivíduo ser simplesmente alfabetizado, ou ele precisa aprender meramente a decodificar. Faz-se necessário que o mesmo seja também letrado para que possa exercer as práticas sociais de leitura e escrita nesta sociedade.

Palavras – chave: Alfabetização. Letramento. Ensino.

 

1. Introdução

O presente artigo tem como enfoque principal a Alfabetização .  Assim como a alfabetização e o letramento são processos que caminham juntos, este artigo, em específico, busca repensar a aquisição da língua escrita, baseado no alfabetizar letrando.

Visto que a sociedade hoje é uma sociedade grafocêntrica, ou seja, centrada na escrita, não basta ao indivíduo ser simplesmente alfabetizado, ou ele precisa aprender meramente a decodificar. Faz-se necessário que o mesmo seja também letrado para que possa exercer as práticas sociais de leitura e escrita nesta sociedade.

A alfabetização e o letramento são processos que caminham juntos. Visto que a sociedade hoje é uma sociedade grafocêntrica, ou seja, centrada na escrita, não basta ao indivíduo ser simplesmente alfabetizado, ou ele precisa aprender meramente a decodificar.

Faz-se necessário que o indivíduo seja também letrado para que possa exercer as práticas sociais de leitura e escrita nesta sociedade. Segundo Soares (2000, p.7), “infelizmente, a situação de nosso país nas últimas décadas, com relação aos índices de analfabetismo, é muito alarmante, pois muito se discute, mas, na prática, muito pouco é feito”.

Antecedendo toda a discussão teórica, foi traçado um histórico sobre a alfabetização:

  • Compreender o papel histórico da alfabetização ao longo do anos;
  • Repensar a aquisição da língua escrita em uma visão de alfabetizar letrando;
  • Analisar a escrita de duas crianças em seu processo de alfabetização.

Este artigo tem como referenciais metodológicos a pesquisa bibliográfica. O desenvolvimento do trabalho consiste na leitura de autores que desenvolveram pesquisas que perpassam a temática em estudo a fim de embasar teoricamente toda a pesquisa.

O texto dos Parâmetros Curriculares Nacionais - Língua Portuguesa possibilitou a fundamentação de todo o artigo.

 

2. Alfabetização

A alfabetização consiste no aprendizado do alfabeto e de sua utilização como código de comunicação. Segundo Cagliari (1998, p. 12):

“Quem inventou a escrita inventou ao mesmo tempo as regras da alfabetização, ou seja, as regras que permitem ao leitor decifrar o que está escrito, entender como o sistema de escrita funciona e saber como usá-lo apropriadamente. A alfabetização é, pois tão antiga quanto os sistemas de escrita. De certo modo, é a atividade escolar mais antiga da humanidade”.

Fatos historicamente comprovados nos relatam que a escrita surgiu do sistema de contagem feito com marcas em cajados ou ossos que provavelmente eram usados para contar o gado, na época em que o homem já domesticava os animais e possuía rebanhos. Essas marcas eram utilizadas, também, para as trocas e vendas, representando a quantidade de animais ou produtos negociados. Além dos números, era preciso inventar símbolos para os produtos e os nomes dos proprietários.

Segundo Cagliari (1998, p.14) naquela época de escrita primitiva, ser alfabetizado significava “saber ler o que aqueles símbolos significavam e ser capaz de escrevê-los, repetindo um modelo mais ou menos padronizado, mesmo porque o que se escrevia era apenas um tipo de documento ou texto”.

A ampliação do sistema de escrita fez com que as pessoas abandonassem os símbolos para representar coisas e passassem a utilizar, cada vez mais, os símbolos que representassem sons da fala como, por exemplo, as sílabas. Como, em média, há cerca de 60 tipos de sílabas diferentes por língua, tornou-se muito conveniente a difusão da escrita na sociedade, pois o sistema de símbolos necessário para representar as palavras através das sílabas ficou muito reduzido e fácil de ser memorizado.

Segundo Cagliari (1998, p.91), “a escrita começou de maneira autônoma e independente, na Suméria, por volta de 3300 a.C”. É muito provável que no Egito, por volta de 3000 a.C, e na China, por volta de 1500 a.C., esse processo autônomo tenha se repetido. Os maias da América Central também inventaram um sistema de escrita independentemente de um conhecimento prévio de outro sistema de escrita, em um tempo indeterminado ainda pela ciência, que talvez se situe por volta do início da era cristã. Todos os demais sistemas de escrita foram inventados por pessoas que tiveram, de uma maneira ou de outra, contato com algum sistema de escrita.

Na Antiguidade, os alunos alfabetizavam-se aprendendo a ler algo escrito e, depois, copiando. Começavam com palavras soltas e, depois, passavam para textos famosos, que eram estudados exaustivamente. Finalmente, passavam a escrever seus próprios textos.

O trabalho de leitura e cópia era o segredo da alfabetização. As pessoas que não pretendiam se tornar escribas, aprendiam sem ir à escola. A alfabetização dava-se com a transmissão de conhecimentos relativos à escrita de quem os possuía para quem queria aprender. A decifração da escrita era vista como um procedimento comum. Não era preciso fazer cópias nem escrever, bastava ler. Para quem sabe ler, escrever é algo que vem como consequência.

Para se alfabetizar nesse sistema de escrita, bastava a pessoa decorar a lista dos nomes das letras, observar a ocorrência de consoantes nas palavras e transcrever esses sons consonantais usando o princípio acrofônico, ou seja, o som inicial do nome da letra é o som que a letra representa. Para escrever David, por exemplo, bastava identificar as consoantes DVD, procurar, na lista de letras, aquelas que começam com sons de D e V e escrevê-las.

Já os gregos, apesar de manterem o princípio acrofônico, se diferenciaram dos semitas, pois, em grego, o conjunto de consoantes era diferente, e eram usadas, as vogais. A letra egípcia representava pictograficamente a cabeça de um boi foi usada pelos semitas para representar uma consoante oclusiva glotal, e a letra recebeu o nome da palavra que significava boi, ou seja, ‘alef. Como em grego não houvesse consoante oclusiva glotal, a letra ‘alef passou a representar a vogal A, agora denominada alfa.

Apesar de manter o princípio acrofônico, os gregos adaptaram os nomes das letras semíticas para a sua língua. Para eles, a alfabetização acontecia de maneira semelhante à dos semitas, com a única diferença de que os gregos tinham de detectar, na fala, não apenas as consoantes, mas, também, as vogais para escreverem alfabeticamente.

Quando os gregos passaram a usar o alfabeto, aprender a ler e a escrever tornou-se uma tarefa de grande alcance popular. De fato, pode-se mesmo dizer que na Grécia antiga havia as escolas do alfabeto. Os romanos assimilaram tudo o que puderam da cultura grega, inclusive o alfabeto. Práticos como sempre, acharam interessante o princípio acrofônico do alfabeto grego, mas perceberam que as letras não precisavam ter nomes especiais: era mais simples ter como nome da letra o próprio som dela.

Dessa forma, mantinha-se o princípio acrofônico e ficava ainda mais fácil usar o alfabeto e se alfabetizar. Foi assim que alfa, beta, gama, delta, épsilon, etc. transformaram-se em a, bê, cê, dê, e, etc. Os semitas, os gregos e os romanos nos deixaram alguns “alfabetos”: tabuinhas ou pequenas pedras ou chapas de metal onde se encontravam todas as letras na ordem tradicional dos alfabetos.

Na verdade, serviam de guia para as pessoas aprenderem a ler e a escrever, ou mesmo quando fossem escrever. Tais documentos foram, por assim dizer, as mais antigas “cartilhas” da humanidade: uma cartilha que continha apenas o inventário das letras do alfabeto.

A alfabetização, na Idade Média, em geral ocorria menos nas escolas do que na vida privada das pessoas: quem sabia ler ensinava a quem não sabia, mostrava o valor fonético das letras do alfabeto em determinada língua, a forma ortográfica das palavras e a interpretação da forma gráfica das letras e suas variações.

 

2. O que é Letramento?

Soares, (2000, p. 7)Letramento é o estado em que vive o indivíduo que não só sabe ler e escrever, mas exerce as práticas sociais de leitura e escrita que circulam na sociedade em que vive”. O termo letramento passou a ter veiculação no setor educacional há pouco menos de vinte anos, primeiramente entre os lingüistas e estudiosos da língua portuguesa.

No Brasil, o termo foi usado pela primeira vez por Mary Kato, em 1986, na obra "No mundo da escrita: uma perspectiva psicolinguística". Dois anos depois, passou a representar um referencial no discurso da educação, ao ser definido por Tfouni em "Adultos não alfabetizados: o avesso dos avessos".

Assim, ao contrário do que ocorre em países do Primeiro Mundo, como exemplificado França e Estados Unidos, em que a aprendizagem inicial da leitura e da escrita a alfabetização, para usar a palavra brasileira mantém sua especificidade no contexto das discussões sobre problemas de domínio de habilidades de uso da leitura e da escrita problemas de letramento, no Brasil os conceitos de alfabetização e letramento se mesclam, se superpõem, frequentemente se confundem.

Esse enraizamento do conceito de letramento no conceito de alfabetização pode ser detectado tomando-se para análise fontes como os censos demográficos, a mídia, a produção acadêmica.

Segundo Soares (2003, p.35), foram feitas buscas em dicionários da língua portuguesa quanto ao significado da palavra e nada foi encontrado nem mesmo nas edições mais recentes dos anos de 1998 e 1999.

A palavra letramento talvez tenha surgido em virtude de não utilizarmos a palavra alfabetismo, enquanto seu contrário, analfabetismo, nos é familiar. Isto é, conhecemos bem e há muito tempo o estado ou condição de analfabeto, mas só recentemente o seu oposto tornou-se necessário, pois recentemente passamos a enfrentar uma nova realidade social, onde se faz necessário fazer uso do ler e do escrever, saber responder às exigências de leitura e de escrita que a sociedade faz continuamente.

Um aspecto que, de certa forma, contribuiu para que se ressignificasse a palavra letramento foi a alteração do critério utilizado em levantamentos censitários. No Brasil, este processo vem sofrendo alterações, pois passou-se da simples verificação da habilidade de codificar e decodificar o nome à verificação da capacidade de usar a leitura e a escrita para uma prática social.

Em contrapartida, nos países desenvolvidos, o que interessa é a avaliação do nível de letramento da população e não o índice de alfabetização.

Nessa perspectiva, concebendo o letramento como o uso da leitura e da escrita em práticas sociais, percebeu-se que sujeitos podem não saber ler e escrever, ser analfabetos, mas podem ser, de certa forma, letrados, uma vez utilizando a leitura e a escritura em práticas sociais.

Modifica-se a ideia de que analfabetos não praticam a leitura e a escrita, uma vez que na concepção do letramento ideológico, mesmo sem serem alfabetizados, os sujeitos podem alcançar níveis de letramento superiores as pessoas com níveis mais altos de escolarização, pois não é apenas a leitura e a escrita, tão enraizadas à escola, que desenvolvem tais níveis cognitivos.

Existem outras formas de atividade humanas que podem desenvolver o aspecto cognitivo do homem, como atividades políticas como a militância em partidos políticos, movimentos da sociedade civil, organizações e outras que podem relacionar-se a transformações cognitivas.

Assim como as sociedades no mundo inteiro, tornam-se cada vez mais centradas na escrita, e com o Brasil não poderia ser diferente. E como ser alfabetizado, ou seja, saber ler e escrever, é insuficiente para vivenciar plenamente a cultura escrita e responder às demandas da sociedade atual, é preciso letrar-se, ou seja tornar-se um indivíduo que não só saiba ler e escrever, mas exercer as práticas sociais de leitura e escrita que circulam na sociedade em que vive.

Kleiman (1995, p.19), Apud Mello; Ribeiro (2004, p.26):

"Letrado" poderia ser, então, o sujeito - criança ou adulto - que, independentemente de (já) ter ido à escola e de ter aprendido a ler e escrever (ter sido alfabetizado?), usasse ou compreendesse certas estratégias próprias de uma cultura letrada.

Para um sujeito ser considerado letrado não é necessário que tenha frequentado a escola ou que saiba ler e escrever, basta que o mesmo exercite a leitura de mundo no seu cotidiano, sendo um cidadão partícipe de sua comunidade, atuando em associações, clubes, instituições, igreja, entre outros.

Ramal (2002, p. 84) afirma:

Estamos chegando à forma de leitura e de escrita mais próxima do nosso próprio esquema mental: assim como pensamos em hipertexto, sem limites para a imaginação a cada novo sentido dado a uma palavra, também navegamos nas múltiplas vias que o novo texto nos abre, não mais em páginas, mas em dimensões superpostas que se interpenetram e que podemos compor e recompor a cada leitura.

Também Bolter (1991, p. 21) diz que “a escrita no papel, com sua exigência de uma organização hierárquica e disciplinada das ideias, contraria o fluxo natural do pensamento, que se dá por associações, em rede.”

Segundo esse autor, é o hipertexto que veio legitimar o registro desse pensamento por associações, em rede, tornando-o possível ao escritor e ao leitor.

Quem é letrado utiliza a escrita para escrever uma carta através de um outro indivíduo alfabetizado,um escriba, mas é necessário enfatizar que é o próprio analfabeto que dita o seu texto, logo ele lança mão de todos os recursos necessários da língua para se comunicar, mesmo que tudo seja carregado de sua particularidades. Ele demonstra com isso que conhece de alguma forma as estruturas e funções da escrita.

 

4. Alfabetizar Letrando

Na etapa inicial, isto é, na Educação Infantil, a escola tem obrigação de ajudar o aluno a ser apropriar da escrita alfabética e informatizar o seu uso. O professor deve fornecer ferramentas para o aluno construir o seu processo de aprendizagem da leitura e escrita.

Soares (2000, p.42), "alfabetizar letrando significa orientar a criança para que aprenda a ler e a escrever levando-a a conviver com práticas reais de leitura e de escrita".

Essas práticas requer do aluno uma atividade reflexiva que, por sua vez, favorece a evolução de suas estratégias de resolução das questões apresentadas pelos textos. Essa atividade só poderá ser realizada com a intervenção do professor, que deverá colocar-se na situação de principal parceiro, agrupar seus alunos de forma a favorecer a circulação de informações entre eles, procurar garantir que a heterogeneidade do grupo seja um instrumento a serviço da troca, da colaboração e, consequentemente, da própria aprendizagem, sobretudo em classes numerosas nas quais não é possível atender a todos os alunos da mesma forma e ao mesmo tempo.

A heterogeneidade do grupo, se pedagogicamente bem explorada, desempenha a função adicional de permitir que o professor não seja o único informante da turma. E de acordo com a intenção da atividade, faz as variações, por exemplo em uma atividade de escrita, alfabético (escriba)-pré-silábico (redator) ou silábico-alfabético/alfabético em que ambos compartilham a função de escriba.

As atividades realizadas com textos que os alunos sabem de cor também proporcionam momentos preciosismos de reflexões, uma vez que os alunos de escrita não-alfabética têm como tarefa a ordenação de frases ou palavras do texto.

PCN - Língua Portuguesa, p. 83

Nas atividades de "leitura" o aluno precisa analisar todos os indicadores disponíveis para descobrir o significado do escrito e poder realizar a "leitura"(...) pelo ajuste da "leitura" do texto, que conhece de cor, aos segmentos escritos; (...) garante que o esforço de atribuir significado às partes escritas coloque problemas que ajudem o aluno a refletir e aprender .

Embora não leiam de forma convencional, os alunos utilizam-se de critérios para encontrar as palavras, como, por exemplo, identificando com que letra começa e/ou termina determinada palavra. E, depois de concluída a ordenação, fazem o ajuste da leitura, uma vez que o texto já é de seu domínio oral. Para os alunos alfabéticos, a realização da tarefa dá-se com a montagem do texto com letras móveis (número exato de letras, sem sobrar alguma) ou a escrita do texto.

As propostas de escrita mais produtivas são as que permitem aos alunos monitorarem sua própria produção, ao menos parcialmente. As escritas de listas ou quadrinhas que se sabe de cor permite, por exemplo, que a atividade seja realizada em grupo e que os alunos precisem se pôr de acordo sobre quantas e quais letras irão usar para escrever.

Ao término dessa atividade, os alunos podem compartilhar a escrita para se discutirem as questões ortográficas. É importante lembrar que, nessa atividade, a intervenção do professor é essencial, pois é a intervenção que leva os alunos à reflexão e ao avanço.

Essas práticas requer do aluno uma atividade reflexiva que, por sua vez, favorece a evolução de suas estratégias de resolução das questões apresentadas pelos textos. Essa atividade só poderá ser realizada com a intervenção do professor, que deverá colocar-se na situação de principal parceiro, agrupar seus alunos de forma a favorecer a circulação de informações entre eles, procurar garantir que a heterogeneidade do grupo seja um instrumento a serviço da troca, da colaboração e, consequentemente, da própria aprendizagem, sobretudo em classes numerosas nas quais não é possível atender a todos os alunos da mesma forma e ao mesmo tempo.

As atividades realizadas com textos que os alunos sabem de cor também proporcionam momentos preciosismos de reflexões, uma vez que os alunos de escrita não-alfabética têm como tarefa a ordenação de frases ou palavras do texto.

PCN - Língua Portuguesa, p. 83

Nas atividades de "leitura" o aluno precisa analisar todos os indicadores disponíveis para descobrir o significado do escrito e poder realizar a "leitura"(...) pelo ajuste da "leitura" do texto, que conhece de cor, aos segmentos escritos; (...) garante que o esforço de atribuir significado às partes escritas coloque problemas que ajudem o aluno a refletir e aprender .

Embora não leiam de forma convencional, os alunos utilizam-se de critérios para encontrar as palavras, como, por exemplo, identificando com que letra começa e/ou termina determinada palavra. E, depois de concluída a ordenação, fazem o ajuste da leitura, uma vez que o texto já é de seu domínio oral. Para os alunos alfabéticos, a realização da tarefa dá-se com a montagem do texto com letras móveis (número exato de letras, sem sobrar alguma) ou a escrita do texto.

As propostas de escrita mais produtivas são as que permitem aos alunos monitorarem sua própria produção, ao menos parcialmente. As escritas de listas ou quadrinhas que se sabe de cor permite, por exemplo, que a atividade seja realizada em grupo e que os alunos precisem se pôr de acordo sobre quantas e quais letras irão usar para escrever.

Cabe ao professor que dirige a atividade escolher o texto a ser escrito e definir os parceiros em função do que sabe acerca do conhecimento que cada aluno tem sobre a escrita, bem como, orientar a busca de fontes de consulta, colocar questões que apóiem a análise e oferecer informação específica sempre que necessário.

Ao término dessa atividade, os alunos podem compartilhar a escrita para se discutirem as questões ortográficas. É importante lembrar que, nessa atividade, a intervenção do professor é essencial, pois é a intervenção que leva os alunos à reflexão e ao avanço.

O educador que se dispõe a exercer o papel de “professor-letrador” considera que: o ato de educar não é uma doação de conhecimento do professor aos educandos, nem transmissão de ideias, mesmo que estas sejam consideradas muito boas. Ao contrário, é uma contribuição "no processo de humanização.

Processo este de fundamental papel no exercício de educador que acredita na construção de saberes e de conhecimentos para o desenvolvimento humano, e que para isso se torna um instrumento de cooperação para o crescimento dos seus educandos, levando-os a criar seus próprios conceitos e conhecimento.

O letramento inicia-se muito antes da alfabetização, ou seja, quando uma pessoa começa a interagir socialmente com as práticas de letramento no seu mundo social. Como afirma Freire (1989, p.11):

(...) A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente. A compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura crítica implica a percepção das relações entre o texto e o contexto.

Nesse sentido, se a leitura de mundo precede a leitura da palavra, um indivíduo pode ser letrado, mas não alfabetizado. Por exemplo, um adulto mesmo não sabendo ler e escrever pode pedir a alguém que escreva por ele, dita uma carta, pede a alguém que leia para ele a carta que recebeu, ou uma notícia de jornal, ou uma placa na rua, ou a indicação do roteiro de um ônibus etc.

 

5. Considerações Finais

Concluiu-se que, alfabetização e letramento são processos que caminham juntos. Hoje os nossos alunos necessitam de uma aprendizagem que focalize o alfabetizar letrando.

O professor alfabetizador, precisa permear a alfabetização com o letramento, e ter uma prática comprometida e uma dedicação contínua, não só em relação à formação dos educandos, mas, principalmente, com a sua formação enquanto profissional da educação.

O mais curioso é que todas essas práticas já estão previstas, desde 2001, nos Parâmetros Curriculares Nacionais - Língua Portuguesa, que é encontrado em todas as escolas. Cabe agora, o investimento em políticas públicas, visando à formação inicial e continuada do professor alfabetizador para que, antes de letrar o educando, ele busque letrar-se.

Enquanto não houver uma ação significativa, um investimento na formação do professor alfabetizador, continuarão alunos chegando ao segundo ciclo sem estarem alfabetizados e letrados, e professores descomprometidos por falta de formação, de conhecimento e de valorização.

 

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BAKHTIN, Mikhail. Marxismo e Filosofia da Linguagem. 11. ed. São Paulo: Hucitec, 2004.

CAGLIARI, Luiz Carlos. Alfabetizando sem o bá-bé-bi-bó-bu. São Paulo: Scipione,1998.

FERREIRO, Emília. Uma Aula Inédita para 10 mil Professores. São Paulo: Nova Escola, n. 139: janeiro, 2001.

FREIRE, Paulo; MACEDO, Donaldo. Alfabetização: leitura do mundo, leitura da palavra. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1990.FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. São Paulo: Autores Associados, 1989.

FREITAS, Maria Teresa de Assunção; VYGOTSKY, BAKHTIN. Psicologia e Educação: Um Intertexto. 3. ed. São Paulo: Ática, 1996.

LEITE, Sergio Antonio da Silva (org). Alfabetização e Letramento. In.: Alfabetização e Letramento: Contribuições para as Práticas Pedagógicas. Campinas: Komedi, 2001.

MEC. PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS: LÍNGUA PORTUGUESA.

______ . Programa de formação de professores alfabetizadores. Documento de apresentação. Brasília, 2001.

MELLO, Maria Cristina; RIBEIRO, Amélia Escotto do Amaral. Secretaria De Educação Fundamental. Letramento: Significados e Tendências. Rio de Janeiro: Wak, 2004.

PEREIRA, C. M ; MARQUES, V. P ; TORRES, E. F. Dos Tempos Da Caverna Ao Computador. Revista Universidade e Sociedade. São Paulo, n. 17, junho, 1998.

SOARES, Magda Becker. Letramento e Alfabetização: As muitas facetas.

______ . Letrar é mais que Alfabetizar. Jornal do Brasil. São Paulo, 2000.

TEBEROSKY, Ana; CARDOSO, Beatriz. Reflexões Sobre o Ensino da Leitura e da Escrita. Petrópolis: Vozes, 1993.

_____. Reflexões sobre alfabetização. Tradução Horácio Gonzales, 24. ed. Atualizada. São Paulo: Cortez, 2001.

VARGAS, Suzana. Leitura: uma aprendizagem de prazer. 4ª ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2000.

VIGOTSKI, L. S. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos superiores. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

 


[1] Professora Luciana Soares da Silva Garcia – Pedagoga e especialista em Lingüística, com ênfase em Letramento. Email: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

 

 

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